O Perdão e as Essências Florais

coracao_ amor

Encontrei no Anuário Espírita de 1986 um texto sobre Maria, mãe de Jesus, que relatava episódios de sua vida pós-morte, e dentre eles havia um a respeito de quando ela desceu ao umbral em busca de Judas para socorrê-lo, a ele que, suicida, estava preso ao sentimento de culpa por ter traído Jesus.

O final do diálogo entre os dois, neste encontro de perdão e consolação, foi descrito pelo espírito Maria Dolores, através das mãos de Chico Xavier, num poema intitulado Retrato de Mãe*, onde podemos ver o poder curativo do amor que entende, perdoa, supera e segue adiante.

Quando li este texto, emocionada, pensei a respeito de todos aqueles que como Maria também tiveram seus filhos torturados ou assassinados e da imensa capacidade do ser humano de perdoar, como fez Maria, e também de guardar ódio, rancor e desejos de vingança.

Para perdoar precisamos achar dentro de nós aquilo que nos remete ao amor que somos, para odiar precisamos estar em contato com os instintos animais que ainda sobrevivem em nós e para manter a mágoa ativa precisamos nos distanciar do amor e da possibilidade da paz interior, cultivando sofrimento e dor em nossas almas, criando histórias de guerra em nossas mentes, turbulências e tempestades emocionais, que culminam com o prejuízo de nossa saúde e de nosso bem estar.

O caminho para o perdão nem sempre é curto, e o tempo, ao contrário do que muitos pensam, sozinho, não é capaz de fazer o trabalho por nós. Conheci pessoas que muitos anos após terem sofrido uma traição, uma injustiça, um abandono ou terem sido vítimas de um crime, relatam o ocorrido como se ele estivesse acabando de ocorrer, com uma carga emocional de mágoa e sofrimento imensos.

Perdoar envolve nossa capacidade de entender e não julgar, mas, além disso, de estarmos conectados com a imensa vontade de ser feliz e com o amor que vive em nós, que são forças capazes de quebrar as correntes que nos aprisionam a mágoa, ao rancor, ao ódio, ou a raiva.

E sim, todos nós temos esse manancial interno de amor e de vontade de ser feliz, e que quando acionado é capaz de superar tanta dor e mágoa, e impulsionar nossas vidas para caminhos de maior felicidade.

O perdão liberta, sabemos, liberta a nós mesmos de nossas dores, liberta-nos de nosso passado, liberta-nos daquele que nos fez algo que consideramos ruim, liberta-nos das culpas e remorsos, da depressão e ansiedade que tantas vezes acompanham os processos de raiva/ mágoa e culpa.

O perdão é um processo, compreende etapas pelas quais vamos passando a fim de deixar o passado com suas dores para trás, nesse caminho podemos buscar a ajuda das essências florais porque dentre elas existem muitas que estimulam em nós essa energia do amor, da compaixão, e do desapego da dor ajudando a trilharmos a jornada do perdão.

Florais

Dentre as diversas essências florais existentes cito algumas que utilizo como terapeuta floral com aqueles que estão em busca do perdão:

Mountain Devil – do sistema de essências florais Bush Flower Essences, da Austrália, ensina o caminho do desapego das mágoas e da aprendizagem do amor, no processo do perdão. É uma essência floral importante para aqueles que mantêm acesos dentro de si ódios e ressentimentos antigos, que são sentidos mais como uma raiva disseminada contra o mundo e/ ou contra as pessoas, e que muitas vezes vem acompanhada de explosões de raiva, mas que também podem aparecer disfarçados como inveja ou ciúme.

Essa planta é muito interessante, pois, sua semente fica encapsulada numa casca que lembra a cabeça de um diabo com dois chifres, e que fica presa na árvore por muito tempo, até que o fogo faça com que ela se abra e que a semente seja liberta. O produtor dessa essência floral traça um paralelo entre o fogo e o ódio que consome a pessoa magoada, e eu gosto também de comparar o fogo ao amor que liberta e purifica.

Dagger Hakea – do sistema de essências florais Bush Flower Essences, da Austrália. A essência floral Dagger Hakea estimula o perdão naqueles casos onde se guarda bastante mágoa ou rancor de alguém muito próximo. Neste caso não há, comumente, explosões de raiva, sendo mais comum o tom irônico, o uso da palavra de forma ácida ou o silêncio e a amabilidade disfarçando a raiva. Essa essência trata de um ressentimento, normalmente, não expresso, sobre o qual as outras pessoas não sabem. Aqueles que precisam dessa essência floral, podem, desta forma, não aparentar sentir raiva, mas esta as consome internamente.

Pine – do sistema de essências florais do Dr. Bach. Essa é uma essência floral para o auto perdão. Especialmente indicada para os que são perfeccionistas, para os que se culpam por tudo, e ainda para aqueles que guardam culpas e remorsos por coisas que fizeram ou deixaram de fazer e que consideram erradas ou equivocadas. É uma essência floral para aqueles que precisam fazer as pazes consigo mesmo.

Salal – do sistema de essências florais Pacific Essences. Este floral ajuda a percebermos que acima da justiça humana e do desejo de justiça existe sempre o amor. Ela possibilita o resgate de nossa capacidade de perdoar a nós mesmos, a alguém ou a uma situação, saindo da postura daquele que julga severamente na medida em que promove a compreensão.

Essas essências florais podem ser usadas individualmente ou em conjunto. Devem ser tomadas 4 gotas 4 vezes ao dia, pelo período de 1 a 3 meses, e após esse tempo de uso é interessante reavaliar o quanto se conseguiu perdoar e se ainda faltam passos a ser trilhados neste sentido.

Caso sinta que ainda não completou o processo seria interessante tomar novas essências florais escolhendo para si mesmo as que desejar usar ou buscando o apoio de um terapeuta floral, que fará a escolha das essências florais mais indicadas para seu caso em particular.

Leitura de apoio sugerida:

– Em busca do perdão – descobrindo o amor – James Van Praagh – ed. Sextante.

– O poder do perdão – Dr. Fred Luskin – ed. Novo Paradigma.
* Em belíssima e comovente poesia, intitulada Retrato de Mãe, Maria Dolores descreve a assistência maternal e efetiva prestada pelo espírito Maria a Judas, que se encontrava em região umbralina, cego e solitário, muito tempo depois da crucificação do Mestre.

No final do diálogo com o discípulo suicida, em grande sofrimento, preso a terrível remorso, a Benfeitora convence-o argumentando com profundo amor:

Amo-te filho meu, amo-te e quero
Ver-te, de novo, a vida
Maravilhosamente revestida
De paz e luz, de fé e elevação…
Virás comigo à Terra,
Perderás, pouco a pouco, o ânimo violento,
Terás o coração
Nas águas de bendito esquecimento.
Numa nova existência de esperança,
Levar-te-ei comigo
A remansoso abrigo,
Dar-te-ei outra mãe! Pensa e descansa!…
E Judas, nesse instante,
Como quem olvidasse a própria dor gigante
Ou como quem se desgarra
De pesadelo atroz,
Perguntou: – quem sois vós
Que me falais assim, sabendo-me traidor?
Sois divina mulher, irradiando amor
Ou anjo celestial de quem pressinto a luz?!…
No entanto, ela a fitá-lo, frente a frente,
Respondeu simplesmente
– Meu filho, eu sou Maria, sou a mãe de Jesus”.

Texto extraído do livro Anuário Espírita 1986, intitulado Notícias de Maria, a mãe de Jesus, de Hércio M. C. Arantes, ed. Instituto de Difusão Espírita.

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