Felicidade III

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“Pensar sobre a Felicidade como um bem individual é inserir, antecipadamente, pitadas de frustração à vivência diária. Felicidade é um bem coletivo, para ser vivenciado em parceria com a vida. Enquanto houver opressão, tirania, violência, assassinato, estupro, abuso, corrupção, em algum lugar do planeta, será impossível uma vida de plena Felicidade pessoal.”  – Thais Accioly

 

Todo ser vivo quer viver, quer ser feliz, quer ser amado.

Todavia a noção da felicidade como uma possibilidade individual é utópica. O pensamento: “Quero ser feliz e que se exploda o mundo”, não funciona na prática.

Assim, como não funciona a busca por amar a si mesmo, sem amar aos outros, e tão pouco viver alheio à vida planetária. Somos seres gregários, interdependentes de toda espécie de vida do planeta.

Quando se vive uma vida egoica, onde só se pensa em suas próprias necessidades, sem nenhum sentido de pertencimento e corresponsabilidade pelo bem-estar social, pode-se ter momentos de excitação, prazer e alegria, ou até mesmo desfrutar da “paz do egoísta”, mas as doses de dissabor, angustia, e doenças serão, invariavelmente, sorvidas um pouco ali a frente. Porque esse tipo de vida não é sustentável.

Como civilização, nós ocidentais, há décadas, saímos numa busca desenfreada de prazer imediato e consumo, cultivando uma visão individualista do sucesso, e colocamos o bem-estar da Terra em risco, destruindo ecossistemas inteiros, e quebrando a harmonia de outros tantos, gerando doenças para nós, além de tragédias ecológicas, ambientais e familiares.

A busca pela riqueza e pelo poder, seja do País em que se vive, dos indivíduos cidadãos, ou daqueles que os governam, tem levado a Terra e a todos nós, os seus habitantes, a muito sofrimento. Trabalho escravo, miséria, doenças, assaltos, assassinatos, de alguma forma estão a serviço do desejo de poder e de riqueza de muitos.

É possível uma vida pessoal com menor nível de estresse e ansiedade, onde se cultive a esperança, e o amor, e nessa vivência podemos sim sentir um nível consistente de contentamento e bem-estar. Mas em plenitude de Felicidade? Ainda não.

Felicidade é um bem coletivo! E para que nosso nível interno de felicidade aumente precisamos gerar possiblidade de Felicidade ao nosso redor.

Isso implica em ampliarmos nossa sensibilidade não mais para nos defender e proteger contra o mal exterior, mas para criarmos empatia e compaixão pelo outro, pelo seu bem-estar e para com seu sofrimento.

Contatar o sofrimento alheio causa dor. Sim, é verdade. Mas aliviar o sofrimento alheio é amor, e traz bem-estar para aquele que socorre e para o socorrido, e é nessa rede de solidariedade, generosidade, fraternidade e amor que se faz o tecido por onde a Felicidade transita, aquece e transforma vidas.

No momento o índice de Felicidade do mundo é pequeno.

É só observar os índices crescentes de suicídio, depressão, ansiedade e estresse.

No Brasil a morte por suicídio juvenil já é a segunda maior “causa mortis”, só perdendo para as mortes por acidentes.

A vivência repleta de ódios, raivas, mágoas, individualismo, ciúme, inveja, mal querência, egoísmo, vaidade, corrupção, ganancia, falta de esperança e falta de fé, é de longe a maior doença da humanidade, para a qual a ciência pouca atenção dá.

E esse estado doentio é incompatível com um estado de plena Felicidade, pessoal ou coletiva.

Só que para mudar esse estado é preciso ir na contramão do paradigma atual da busca pela Felicidade individual tão veiculado pela mídia, pela TV, pelas revistas, Internet e pela cultura que criamos.

Para criar Felicidade é preciso criar espaços de vivencia amorosa, harmoniosa, onde caiba o perdão, a conciliação, o bem querer, a compaixão, o bom humor, a generosidade, o altruísmo, a gentileza, a fraternidade. Onde a convivência gere esperança.

Mas não espere que o Governo, a empresa onde você trabalha, ou seus pais, criem este espaço de bem-estar. Comece você, sendo mais gentil, afetivo, curando suas mágoas, ressentimentos e raivas, trabalhando-se para ser mais amoroso e inclusivo, tratando de esquecer um pouco de si e se dedicando a algo maior. Buscando uma vida mais espiritualizada, onde exista o fortalecimento da Fé.

Sim, vai dar trabalho. Mas a recompensa virá em forma de bem-estar, harmonia, de uma melhor autoestima e da satisfação de tomar parte na construção dos alicerces de uma Felicidade plena e coletiva. E isso não tem preço.

 

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