Felicidade II

felicidade

Pensar a felicidade como um bem de consumo é algo relativamente comum, muitos acreditam que ela é um bem comprável.

Não é.

Há a forte ilusão de que se comprarmos um carro moderno, o último modelo de celular, a casa dos sonhos, a viagem para aquele lugar maravilhoso, sapatos, o relógio da marca tal, teremos a felicidade.

Acalentamos, também, a fantasia de que um salário maior, ou um rendimento melhor trará a felicidade. E há quem acredite comprar felicidade em comprimidos, fórmulas manipuladas…

Claro que o medicamento certo pode amenizar sintomas depressivos, mas a felicidade não virá com o alivio.

Nem aparecerá só porque se comprou algo ou se viajou para algum lugar.

Pode existir satisfação nessas situações e vivências, mas alegria e prazer não são a felicidade.

Felicidade é confundida com muitas coisas: com prazer, com consumo, com poder, com alienação, com excitação, com fazer ou não fazer algo, com estar com alguém ou não.

Coloca-se desta forma a felicidade onde ela não é possível de ser encontrada e a busca, assim, parece não ter fim. Mas só porque tomamos caminhos estranhos nessa jornada.

Muitos acham que a felicidade é um direito pessoal, e saem desembestados, criando situações de desencanto, angustia, ansiedade, desespero ao seu redor, porque decidiram ser felizes “custe o que custar, doa a quem doer”.

Mas, por mais que os livros, a TV, os comerciais, as revistas, e palestrantes digam e ensinem que todos temos o direito à felicidade, gerando uma quase histeria em sua busca, vê-se que os esforços individuais são pouco produtivos e o que é pior, essa busca egocêntrica acaba causando muito sofrimento individual e coletivo.

A felicidade só será possível quando vivenciada em sociedade, por uma grande e esmagadora maioria.

Todo o resto é miragem. Ilusão criada para vender produtos e serviços.

Felicidade é um estado de espirito, de bem estar, que envolve o desenvolvimento de muitas diferentes nuances da personalidade, da saúde mental, espiritual, física e social.

Existem requisitos individuais para a felicidade, claro, mas eles isoladamente são insuficientes para sua vivência plena.

Alguns requisitos individuais são: boa autoestima, amor pela vida, auto respeito e respeito pelo próximo, criatividade, generosidade, bom humor, humildade, capacidade de aceitação, flexibilidade, fé, esperança, altruísmo, maturidade emocional, auto conhecimento, resiliência, capacidade de sacrifícios pessoais pelo bem estar coletivo.

Mas todos são ineficientes se coletivamente, seja em família, no trabalho, ou na sociedade de forma geral, se convive com a desigualdade de oportunidades, com a escravidão dos sentidos e das pessoas, com a indiferença, com a crueldade e a violência, com o egoísmo, com a fome, com o abandono dos mais frágeis, com a corrupção, com a inveja e o ódio, com o desrespeito, com a desesperação, com o orgulho, com a indecisão, com os medos sem sentido, com a ganância e desespero.

Felicidade é direito coletivo, e só pode ser vivenciado coletivamente, na medida em que o bem estar, a paz, a amorosidade, o respeito, os cuidados fraternos, a esperança e as oportunidades são bens comuns a todos, desfrutados por qualquer pessoa, por qualquer ser vivo.

Pense nisso e busque agir na construção de uma felicidade coletiva em sua casa, em sua rua, em seu bairro, em sua cidade, no seu local de trabalho, e observará que na medida em que você, eu, e outros começarem a viver pensando e criando possibilidades para que a felicidade alheia surja, ela também começara a brotar internamente, como um bem estar real e duradouro.

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